Tudo pelo Futsal, para o qual
muitos vivem com paixão, outros tantos, fazem dele a sua
profissão e alguns, poucos, se dedicam de alma e
coração...
Acedendo ao amável convite um site de futsal para
dar a minha opinião enquanto Director de uma equipa de
Futsal, relativamente a aspectos que envolvam a prática
desta modalidade, optei por escolher um tema sempre
polémico, como é o caso da Arbitragem e da forma como
a arte de arbitrar é por vezes encarada por quem está
do outro lado da barreira, nomeadamente pelos jogadores,
técnicos e directores dos Clubes em
competição.
Lembro-me de na minha juventude ouvir o meu
pai dizer várias vezes esta frase: “Se soubessem
quanto custa por vezes ter de, mandar, nem que seja um
minuto, preferiam ter que obedecer toda a vossa
vida...”
E acredito que esta frase possa também
passar pela cabeça de alguns árbitros, quando
são obrigados a tomar algumas decisões,
principalmente sempre que ao fazê-lo têm depois de
arrostar com as reacções de quem estando do tal outro
lado da barreira, se vai sentir prejudicado com essas mesmas
decisões.
Então porque motivo algumas decisões da
arbitragem, mesmo as muito difíceis de tomar, às
vezes não são contestadas enquanto outras, mais
corriqueiras, originam reacções acaloradas e muitas
vezes tão despropositadas?
Será que os próprios árbitros, para
além de se limitarem a cumprir os regulamentos, no seu papel
de zeladores, não deviam também fazer uma
autocrítica dos motivos que originam essas
atitudes?
Porque é que alguns, tentando não falhar na
aplicação das Leis de Jogo falham redondamente no seu
papel de pedagogos, adulterando o poder que lhes é conferido
por terem um apito na boca, optando pela arrogância e pela
prepotência, ao invés da discrição ou
até do diálogo?
Retenho as imagens dos jogos do Futebol da Liga Inglesa
que passam na TV, vendo os árbitros a chamarem os jogadores
ao lado, conversarem com eles durante alguns segundos e só
depois lhes mostrarem os cartões, que eles aceitam melhor
mesmo que os considerem desajustados!
O que esperar da reacção de um atleta a
quem se mostra um cartão de forma ostensiva e muitas vezes
complementada com comentários e até
provocações?
E será que nos cursos de Arbitragem se aconselham
os árbitros a sempre que necessário se refugiarem
nesta estafada frase “O senhor jogador está aqui
apenas para jogar e não para falar, ou, o senhor treinador
está aqui apenas para treinar,... etc,
etc.”
Se ninguém é obrigado a estar no Desporto,
se todos aqui andamos apenas porque gostamos, independentemente das
funções que cada um desempenha, porque não
falarmos todos a mesma linguagem?
Porquê criar à volta da figura dos
Árbitros uma auréola de superioridade ou de
detentores da verdade absoluta, enquanto todos os outros não
passam de comuns mortais, e por isso obrigados a mostrar a sua
subserviência?
Manda quem pode, obedece quem deve, mas aqueles que
souberem mandar serão mais facilmente
obedecidos.
RUI CRUZ
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