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Ser Árbitro: Mandar não custa, o que custa é saber mandar!  Inserido Wednesday 26 March 2008 15:50

Tudo pelo Futsal, para o qual muitos vivem com paixão, outros tantos, fazem dele a sua profissão e alguns, poucos, se dedicam de alma e coração...

Acedendo ao amável convite um site de futsal para dar a minha opinião enquanto Director de uma equipa de Futsal, relativamente a aspectos que envolvam a prática desta modalidade, optei por escolher um tema sempre polémico, como é o caso da Arbitragem e da forma como a arte de arbitrar é por vezes encarada por quem está do outro lado da barreira, nomeadamente pelos jogadores, técnicos e directores dos Clubes em competição.


Lembro-me de na minha juventude ouvir o meu pai dizer várias vezes esta frase: “Se soubessem quanto custa por vezes  ter de, mandar, nem que seja um minuto, preferiam ter que obedecer toda a vossa vida...”

E acredito que esta frase possa também passar pela cabeça de alguns árbitros, quando são obrigados a tomar algumas decisões, principalmente sempre que ao fazê-lo têm depois de arrostar com as reacções de quem estando do tal outro lado da barreira, se vai sentir prejudicado com essas mesmas decisões.
Então porque motivo algumas decisões da arbitragem, mesmo as muito difíceis de tomar, às vezes não são contestadas enquanto outras, mais corriqueiras, originam reacções acaloradas e muitas vezes tão despropositadas?
Será que os próprios árbitros, para além de se limitarem a cumprir os regulamentos, no seu papel de zeladores, não deviam também fazer uma autocrítica dos motivos que originam essas atitudes?
Porque é que alguns, tentando não falhar na aplicação das Leis de Jogo falham redondamente no seu papel de pedagogos, adulterando o poder que lhes é conferido por terem um apito na boca, optando pela arrogância e pela prepotência, ao invés da discrição ou até do diálogo?
 
Retenho as imagens dos jogos do Futebol da Liga Inglesa que passam na TV, vendo os árbitros a chamarem os jogadores ao lado, conversarem com eles durante alguns segundos e só depois lhes mostrarem os cartões, que eles aceitam melhor mesmo que os considerem desajustados!
O que esperar da reacção de um atleta a quem se mostra um cartão de forma ostensiva e muitas vezes complementada com comentários e até provocações?
 
E será que nos cursos de Arbitragem se aconselham os árbitros a sempre que necessário se refugiarem nesta estafada frase “O senhor jogador está aqui apenas para jogar e não para falar, ou, o senhor treinador está aqui apenas para treinar,... etc, etc.”
 
Se ninguém é obrigado a estar no Desporto, se todos aqui andamos apenas porque gostamos, independentemente das funções que cada um desempenha, porque não falarmos todos a mesma linguagem?
Porquê criar à volta da figura dos Árbitros uma auréola de superioridade ou de detentores da verdade absoluta, enquanto todos os outros não passam de comuns mortais, e por isso obrigados a mostrar a sua subserviência?
 

Manda quem pode, obedece quem deve, mas aqueles que souberem mandar serão mais facilmente obedecidos.

RUI CRUZ

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